29.4.08

Factos são factos

"Apesar de Portugal não estar entre os países com maior incidência de pobreza infantil, regista valores significativos, ou seja, 21%. O risco maior situa-se nas famílias monoparentais (40%) ou nas numerosas (38,5%)." in JN Dias depois de o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social ter dito que o pacote de apoio à família deu o último passo com a licença de maternidade e paternidade alargada para 12 meses com a redução do salário até 25%. Sr. Ministro, onde está a majoração do abono de família prometida para os monoparentais? Ao menos isso...

23.4.08

Licença de maternidade e paternidade aumenta, trabalho em part-time beneficiado

Pode chegar a um ano mas o salário vai diminuindo até 25%. O pai passa a ter 10 dias em vez de 5. O trabalho em part-time será contado como a tempo inteiro.

18.4.08

A história de uma grande mulher

Aos 94 anos, Maria Custódia, uma idosa da aldeia serrana de Canadelo, Amarante, apanhou o susto da sua já longa vida: uma citação, a primeira, para se apresentar em tribunal. A notificação judicial era, ainda para seu maior espanto, de Vila Franca de Xira e não do tribunal da sede do concelho, Amarante, onde a idosa se mexia com mais à vontade. E a surpresa foi ainda maior quando soube do que se tratava: era para assinar o divórcio do marido, também nonagenário, homem que já não via há 57 anos e que julgava já ter falecido. "Pensava que ele tinha morrido", confessou. Maria Custódia, que teve de fazer mais de 300 quilómetros para desfazer um casamento que supunha já não existir, admitiu que "ficou assustada" com o papel que recebeu. "Fui ao tribunal de Amarante, onde tenho muitos amigos e disseram-me que tinham mesmo de ir a Vila Franca de Xira. Lá reencontrei o meu homem, que fugiu há muitos anos deixando-me sozinha com dois filhos ainda pequenos", disse. Maria Custódia fala numa linguagem simples, mas clara. Percebe-se, nos olhos, que sente aquilo que diz. Às perguntas responde com prontidão, denotando uma memória muito viva, que lhe permite situar no tempo, e no espaço, situações vividas há muitas décadas. Apesar da idade, disse ter encarado com grande naturalidade o divórcio. "Foi um alívio, porque ele não merecia que eu fosse mulher dele. Disse-lhe isso no tribunal e ele nem respondeu", afirmou. Entre sorrisos, e uma franca gargalhada, admitiu que, mal regressou a Amarante "foi logo tratar da actualização do Bilhete de Identidade". A idosa é analfabeta, mas - sublinhou - sabe fazer contas. "Não sei não ler, mas tenho pena de não saber. Mas digo-lhe que nas contas nunca me enganei", garantiu. Os poucos habitantes que restam em Canadelo, na maioria idosos, apreciam a maneira de ser de Maria Custódia. "É a alegria da aldeia", destaca o presidente da Junta, Manuel Claro. Maria Custódia, atenta ao que dela se dizia, deixou escapar um sorriso de orelha a orelha. Ajeitando um lenço que lhe cobre parcialmente a cabeça, logo se apressou a fazer jus ao elogio do amigo autarca, cantarolando uma melodia que suscitou a curiosidade de quem passava. Emocionante, a voz viva da mulher. Mas, mais intenso ainda, o brilho do olhar, que se perdia na encumeada verdejante da Serra da Meia Via. "Ouvindo cantar a mulher não se percebe o duro percurso de vida que teve. Ainda assim, mantém esta boa disposição diária", acrescentou o presidente da Junta. Desde criança que, Maria Custódia, enfrenta as agruras de quem sempre viveu numa das mais recônditas aldeias do distrito do Porto, situada a quase de 20 quilómetros da sede de concelho. Hoje a estrada até Amarante, apesar de sinuosa, conta com um bom pavimento colocado pela câmara, mas há várias décadas não passava de um serpenteante estradão de montanha. Maria Custódia chegou a fazer diariamente essa viagem a pé. Durante 20 anos era quem trazia o correio e mercearia de Amarante até Canadelo, fazendo quase 40 quilómetros por dia, mais de seis horas de viagem no total "Era muito duro, mas eu gostava. Ganhava 25 tostões. Conhecia-se muita gente por essas aldeias fora até Amarante. Gente boa que gostava de mim", contou, confessando saudade de pessoas da sua geração que já partiram. Essas duas décadas foram o período mais difícil da sua vida. Sozinha - o marido já tinha desaparecido - criou dois filhos. "Cheguei a passar fome, mas as coisas foram-se arranjando", disse. Percebeu-se que não queria falar de coisas tristes, mas não hesitou em voltar à mala das recordações quando falou da sua infância. Sorridente foi contando, enquanto gesticulava com a mão direita, à cadência da conversa: "Olhe, passava os dias a carregar molhos de lenha para os fornos da cal. Subia e descia estas encostas muitas vezes por dia", contou, apontando para os montes que cercam a aldeia. A idosa recordou os grandes fornos que existiam em Canadelo utilizados para fazer cal, que era transportada em mulas até Amarante. Do seu longo percurso de vida, também fala do tempo em que, como muita gente daquelas paragens, ajudava a limpar o minério no rio Olo. Era o estanho extraído das minas de Vieiros, desactivadas há algumas décadas. "Fazíamos de tudo. Eram tempos difíceis e tínhamos de nos manter vivos", confessou. Hoje Maria Custódia enfrenta mais um momento difícil. Com um rendimento pouco superior a 200 euros por mês, os proprietários da pequena casa que habita sozinha querem que deixe o espaço. "Mas eu não tenho para onde ir", lamenta-se Maria Custódia, enquanto se queixa que o dono da casa até a electricidade lhe cortou. Utiliza velas para iluminar a habitação à noite e nem sequer pode ligar o pequeno frigorífico para conservar os alimentos. O presidente da junta garante que a idosa vive numa situação muito precária, precisando da ajuda para sobreviver. Apesar da insistência, recusou-se, por confessada vergonha, a mostrar onde vive. Sente-se muito amargurada e apenas pede que a ajudem a arranjar um espaço onde viver com algum conforto. "Ficava muito feliz se me arranjassem uma casinha", disse a idosa, segurando carinhosamente o braço do jornalista, nele fixando o olhar, num silêncio só perturbado pelo ressoar afastado do rio Olo. A junta está a tentar a ajudar e o presidente da Câmara de Amarante, Armindo Abreu, até já disse que a senhora podia utilizar a antiga escola primária da aldeia, desactivada há dois anos, que a autarquia se prontificava a recuperar. Inicialmente a idosa aceitou, mas hoje hesita, porque a escola está afastada algumas centenas de metros do centro de aldeia e o acesso é íngreme. "Está muito longe e tenho medo de viver lá sozinha. Se me der alguma coisa não terei quem me ajude", salientou, corroborada pelo presidente da junta. Manuel Claro está atentar encontrar outra solução, que poderá passar pela adaptação do rés-do-chão da sede da junta. "Estamos a fazer o que podemos para ajudar a dona Custódia, que está a sofrer muito. Ela merece o apoio de toda a aldeia", sustenta o autarca de Canadelo. Mas a idosa não quis terminar a conversa com lamúrias, como disse ao jornalista. Falou então do quanto gostava de chegar aos 100 anos. "Se conseguisse havia de dançar muito nesse dia", prometeu. © 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. 2008-04-18 10:25:03

17.4.08

Divórcio hoje no Jornal da Noite - SIC

O divórcio e as consequências sociais e emocionais são discutidos um dia depois da aprovação da nova lei no Parlamento.

15.4.08

Opiniões sobre o Poder Paternal e o Divórcio

A Sul encontrei um artigo de opinião muito interessante e que vem de encontro ao que se defende aqui. Não basta criar projectos-lei, há que pensar no que vem a seguir e acompanhar as consequências da monoparentalidade.

13.4.08

Guarda conjunta, finanças, responsabilidade

O Jornal de Notícias discute hoje os temas do divórcio, guarda das crianças, responsabilidade dos pais e finanças. Vale a pena ler. No Público fala-se dos pais e mães espanhóis que deixaram de trabalhar para tomar conta dos filhos pequenos. São pessoas que representam mais de 90% de quem deixou de procurar emprego por razões familiares. Apoios? "Actualmente em Espanha, sete comunidades – Navarra, La Rioja, Baleares, Castela e Leão, Galiza e País Basco – ajudam com quantias dos três mil a 8700 euros quem reduz o horário de trabalho ou faz uma interrupção para cuidar de menores."

11.4.08

Responsabilidade Parental

substitui Poder Paternal, ou seja, a responsabilidade é do pai e da mãe. Faz parte do projecto-lei apresentado pelo partido do governo. Entre outras regras para o divórcio, está a protecção do cônjuge mais frágil e contabiliza-se o trabalho familiar relativo aos cuidados com os filhos e em casa. A regulação da responsabilidade parental deve ser realizada por acordo entre os pais e remetida ao tribunal que tem 30 dias para aprovar ou recusar. O incumprimento das responsabilidades parentais será, caso a lei seja aprovada, considerado crime de desobediência. A ver vamos..

8.4.08

Mais 366 Famílias Monoparentais a receber Rendimento Mínimo em Fevereiro

23.697 famílias monoparentais receberam o Rendimento Social de Inserção em Fevereiro. Se cada família tiver duas crianças a cargo, serão quase 50 mil crianças a viver da assistência do Estado. De Dezembro para Fevereiro há mais 366 famílias monoparentais a receber o RSI. A maioria recebe entre 100 a 200 € por mês, os distritos mais afectados são Porto, Lisboa e Setúbal.

7.4.08

Precisa-se especialista em burocracia

A ideia é formalizar a MONO como associação, de forma a obter apoios e reconhecimento. Respostas por email. Obrigada

5.4.08

"Os filhos não se divorciam"

e os pais não deixam de ser pais. A notícia vem de Espanha onde os pais reclamam a guarda conjunta dos filhos com a mãe. Os pais são tão bons educadores como as mães e têm tantos direitos como as mães. Privar os filhos da paternidade e de se relacionarem com a família do pai é torná-los menos pessoas. Felizmente a lei portuguesa já prevê estas situações mas, mesmo assim, os pais continuam a ser preteridos nos seus direitos e deveres pela figura materna. Mas, atenção, guarda conjunta é responsabilidade e não direito de visita. Na minha opinião, quanto mais livres se deixam as visitas, melhores relações se desenvolvem entre os pais, os filhos e as mães pois, só assim são levados a entrar em acordo pessoal pelo bem estar da criança e não apenas a cumprir o estipulado pelo tribunal.

4.4.08

Simulador Apoio Social Escolar

Clique no título para fazer as contas. Atenção ao cálculo para famílias monoparentais.

3.4.08

E já estamos em Abril...

Continuam por sair os novos valores do Abono de Família para este ano, continua por publicar a majoração de 20% para os monoparentais. Claro que continua, como é que se aumenta o que não foi aumentado? Isto é, para se aplicar a majoração vamos ter que esperar pelos novos valores, sentados de preferência...

2.4.08

Monoparentais e Partidos

Numa pesquisa simples nos sites dos partidos eleitos para a Assembleia da República com a palavra "monoparentais", os resultados são estes: Partido Socialista - 2; Partido Social Democrata - 0; Bloco de Esquerda - 0; CDS/PP - 0; PCP - 14; Partido Ecologista "Os Verdes" - 1. Conclusão: ou não se toca no assunto ou as ferramentas de pesquisa das páginas não funcionam...

1.4.08

Orçamentos familiares em 2005/2006

As diferenças entre o que ganhamos e o que gastamos, de famílias monoparentais para famílias de dois adultos com crianças, mostram que as famílias monoparentais estão a atravessar uma enorme crise financeira, chegando as famílias monoparentais com 2 ou mais crianças a apresentar resultados anuais negativos. Uma família monoparental com 1 criança sobram-lhe cerca de 1546 euros por ano, enquanto uma família de dois adultos com 1 criança lhe sobram 3946 euros anuais. Com 2 crianças, os resultados são alarmantes: enquanto a família monoparental perde 152 euros, a família com dois adultos ganha 5502 euros. Para mais informação, contacte a MONO através do email do Yahoo Groups.