21.2.08

O que (algum)as mães fazem às filhas

As mães monoparentais acabam por partilhar muita da sua vida diária com as filhas. Talvez por serem do mesmo sexo, tornam-se grandes cúmplices e grandes amigas. Mas, e se há sempre um mas, a proximidade excessiva pode levar a que se abordem temas pouco próprios para as crianças e a fechar a unidade familiar numa espécie de "nós e o resto do mundo". Umas dizem mal do pai, outras acabam mesmo por dizer mal de tudo e de todos, fazendo crer à filha que o centro do universo é lá em casa e mãe e filha as personagens principais deste grande teatro da vida onde sofremos as injustiças de todos os que nos rodeiam. Com resultados muito negativos para quem está a crescer, apoiada num modelo de comportamento cheio de amargura e ressentimento, onde a intriga é o ponto forte das conversas, estas crianças desenvolvem personalidades egocêntricas, egoístas, inseguras e tornam-se indesejadas no seio do grupo de amigos. A discórdia que observam em casa é a que transportam para a escola. O modo de resolver os problemas, atraindo apoiantes e repelindo com violência os que não estão de acordo leva-as a um isolamento progressivo. As outras crianças evitam estas companhias difícceis de lidar, produtoras de conflitos e roturas, amigas de ocasião. As outras crianças detectam a mentira, a intriga, a injustiça e a maldade com uma facilidade espantosa e porque são crianças fogem a sete pés de um mundo desconhecido que reservam para mais tarde nas suas vidas. Tenho muita pena que algumas mães façam isto às filhas.

18.2.08

Vale a pena ler - monoparentais sim, criminosos não

O blog do Corvos & Caravelas também fala no ataque às famílias monoparentais. Gostei dos argumentos, muito lúcido e conhecedor do que é ser monoparental.

13.2.08

Divórcio e monoparentais

Embora o divórcio seja apenas uma das formas de monoparentalidade, é a mais discutida e presente em pesquisas na internet. A viuvez, a separação, as mães e pais solteiros, os idosos a viver com filhos solteiros, as famílias reconstituídas onde se encontram um ou dois agregados monoparentais parecem não fazer parte deste universo. A monoparentalidade reconhece-se na relação de parentesco de um adulto a viver com um ou mais filhos menores ou adultos, não é um resultado directo do divórcio, até porque muitos casamentos que acabaram em divórcio não tiveram descendência.

12.2.08

77 cêntimos de aumento

Ainda não foram publicados os valores do abono de família para este ano mas, segundo as minhas contas, (hoje estou numa de fazer contas como já devem ter percebido pelo post anterior!)vamos receber mais 77 cêntimos por mês. Uma vergonha! Aproveito para vos alertar sobre um fórum onde podem encontrar respostas sobre economia e finanças, muito prático e simples de perceber. O link está na barra lateral.

Famílias Monoparentais com Rendimento Social de Inserção

Em Dezembro de 2007, contam-se 23.331 famílias monoparentais a viver com o Rendimento Social de Inserção (RSI), 20% do total. No topo da lista surge o Porto, em segundo lugar Setúbal e em terceiro Lisboa. Se partirmos do princípio simples de dois filhos em cada uma destas famílias, há quase 50 mil crianças cujas famílias vivem com uma média de 220 euros por mês. Entre Janeiro e Dezembro de 2007, mais de 57 mil pessoas pediram o RSI. Se cada uma tiver dois dependentes, estamos a falar de quase 200 mil pessoas, destas 40 mil serão monoparentais. Pouco mais de metade terão direito ao RSI, 220 euros mensais.

11.2.08

Mais um órfão por violência doméstica

Residente em Moura e com um filho, actualmente com três anos, a vítima estava separada do marido e, na altura do crime, decorria um processo de divórcio, segundo dados fornecidos à agência Lusa pela GNR. Lusa/SOL

O desespero de um pai

Soure Criança esfaqueada pelo pai está «livre de perigo» (Para ler toda a notícia, clique no título acima) Só há uma pergunta a fazer: ninguém sabia o que se passava nesta família monoparental?

RE: Abono de Família para Famílias Monoparentais

Exma. Senhora Encarrega-me o Senhor Primeiro Ministro de acusar a recepção do e-mail de V. Exa. e de informar que lhe foi prestada a devida atenção. Com os melhores cumprimentos Fernando Soto Almeida Assessor Administrativo (por delegação) Gabinete do Primeiro Ministro Rua da Imprensa à Estrela, 4 – 1200-888 Lisboa – Portugal Tel.: (+351) 21 392 35 00 Fax: (+351) 21 395 16 16 pm@pm.gov.pt

10.2.08

"quanto custa ser bom pai"

Público, Última hora - 5 Fev 08 Estudo coordenado pelo psicólogo Eduardo Sá Pais de classe média gastam em média entre 236 e 678 euros por mês com cada filho Uma equipa de psicólogos de Coimbra fez as contas para saber quanto custa ser "bom pai" e concluiu que nos primeiros 25 anos de vida cada família de classe média-baixa gasta, em média, 236,446 mensais com cada filho. "Até aos 25 anos de idade, uma criança nascida numa família da classe média baixa "custa", em média 236,446 euros", referiu à Lusa Raquel Viera da Silva, a psicóloga que juntamente com Ana Rita Silva e sob orientação de Eduardo Sá, fez as contas para saber "quanto custa ser bom pai" em Portugal. Os números foram apresentados no 1º Congresso Internacional em Estudos da Criança (IEC), que terminou ontem na Universidade do Minho, em Braga. Tendo por base números apresentados pelo economista Barbosa de Melo, a equipa de psicólogos de Coimbra imaginou a vida de duas famílias da classe média, de rendimentos diferentes, e somou as despesas. "Também tivemos atenção à estimativa dos rendimentos perdidos", disse Raquel Vieira da Silva. Como "rendimentos perdidos", foram considerados "o valor das horas que os pais despenderam com os filhos e que poderiam ter usado para investir na sua carreira profissional, enriquecendo o currículo com formações que lhes permitiriam subir no quadro da empresa ou efectuando horas extra que lhes permitiriam engrossar o salário". Numa família de classe média baixa, nos primeiros 25 anos de vida de um filho, os pais terão gasto cerca de 236,446 euros em fraldas, médicos, comida, roupa, desporto, livros, propinas e mensalidades escolares. Numa família de classe média alta, cada filho, até aos 25 anos, custará 678,875 euros. "Há uma grande disparidade entre o dinheiro gasto com as prestações da casa e do carro e o dinheiro gasto com os filhos", referiu ainda a psicóloga. "As coisas que não têm preço, como brincar com os filhos, são desvalorizadas e compensadas com roupas e brinquedos", concluiu a equipa coordenada por Eduardo Sá. Contas feitas, há números que não é possível contabilizar como "tudo de que se tem de abdicar ao assumir" ser pai. "Temos noção de quanto custa criar um filho mas não é possível saber quanto custa ser um bom pai", frisou Raquel Vieira da Silva. A equipa imaginou duas famílias: uma com um rendimento mensal de mil e oitocentos euros e outra com um rendimento mensal de quatro mil duzentos e cinquenta euros. Durante 36 anos de trabalho (considerado o tempo médio de vida laboral de uma família), a família mais "pobre" terá gasto cerca de 26% do orçamento familiar com um filho. No mesmo período de tempo, a família com maiores rendimentos terá gasto 31%do orçamento. "Constamos que cada vez há menos crianças, em parte porque os pais procuram a situação ideal para ter filhos mas, sobretudo, por questões económicas", refere o estudo coordenado pelo psicólogo infantil Eduardo Sá. "Das incontáveis fraldas descartáveis aos primeiros livros escolares, ao pagamento das propinas, às horas de espera pela consulta do pediatra, ao tempo gasto em serviço de motorista para as inúmeras actividades extra-curriculares, a aplicação de capital é constante. E isto, sem avaliar o que, em economia, se chama o 'custo de oportunidade', isto é, as vantagens que perdemos por não escolhermos outro caminho que não o de ser pai", disse Raquel Vieira da Silva.

8.2.08

Petição Online

Esta petição destina-se a obter apoios e reconhecimento das famílias monoparentais como unidades familiares únicas e com necessidades específicas. Se estiver de acordo com o texto, assine. Se não estiver de acordo, envie as suas sugestões para o email do Blog, mas não deixe de passar a informação aos seus contactos. Todos são convidados a assinar, casados, divorciados, solteiros, altos, magros, baixos... Obrigada

7.2.08

Carta ao Governo

Caros Srs. Em primeiro lugar, apresento os meus parabéns pela medida de majoração do abono de família em 20% para as famílias monoparentais. No entanto, verifico que o anúncio público desta medida é redutor e, a meu ver, de reduzido impacto social. Após várias pesquisas, verifico que o Diário de Notícias refere que esta majoração destina-se a famílias monoparentais que não recebem pensão de alimentos por parte do outro progenitor. Corrijam-me se estiver enganada mas é o único dado de que disponho e, como tal, venho apresentar uma contribuição para a aplicação equitativa da medida anunciada. Baseando-se nos indicadores do INE quanto ao risco de pobreza das famílias, publicado a 15 de Janeiro, V.Exas. referem as famílias com um adulto e crianças a cargo como as destinatárias da majoração do abono. Acrescente-se que estas famílias não são caracterizadas por receberem ou não pensão de alimentos, portanto, parece-me a mim que esta condição para se ser beneficiária da majoração é discutível. Uma família monoparental depende dos rendimentos do progenitor ou tutor que tem a guarda da criança, com todos os encargos económicos acrescidos e a perda de autonomia daí resultante. Os dados do INE confirmam-no: há um aumento de 56 para 73% destas famílias quanto ao desemprego e outro aumento quanto ao emprego precário. Esta situação agudiza-se no caso das mulheres, como V.Exas. terão conhecimento. A determinação do pagamento das pensões de alimentos,do seu valor e actualização dependem dos tribunais e da sentença de cada juíz em particular, caso a caso. Muitas destas pensões demoram anos a ser decididas, outras tantas não são cumpridas e muitas outras carecem de actualização. Que eu saiba, não existe qualquer entidade que fiscalize quem recebe e quem não recebe. Que eu saiba, o Estado não tem providenciado o apoio estabelecido para quem não recebe. A única forma de confirmar se a criança recebe alguma pensão é através do IRS do progenitor ou tutor que a declara. Caso haja incumprimento, a família monoparental é obrigada a recorrer novamente ao tribunal num processo moroso, difícil porque há que apresentar provas e economicamente e temporalmente dispendioso e prejudicial ao seu bem-estar. Uma medida destas pode ser comparada a outra: o aumento do abono de família a partir do segundo filho. Ou seja, se há mais um dependente aumenta-se o abono. Então, se há menos um progenitor não deveria seguir a mesma lógica de aplicação? Pergunto-me como irá ser aplicada a medida anunciada: pela prova em IRS, pela sentença judicial, por atestado da junta de freguesia? E quem não é divorciado? Porque quem tem filhos, precisa de regular primeiro o poder paternal antes de se divorciar. Então os pais e mães solteiros, os tutores legais de órfãos ou crianças abandonadas não terão direito a esta majoração? Mais, a atribuição do aumento é independente do valor da pensão? Há pensões com montantes muito diversos, outras não chegam a ser pagas apesar da decisão do tribunal e outras não são declaradas em sede de IRS. Se se trata de uma medida de política social e os números são claros, porque não considerar apenas os elementos do agregado familiar monoparental? É o que acontece para os casais com filhos, são mais recebem mais e ninguém questiona a contribuição de cada membro do casal para cada filho. No caso das famílias monoparentais se são menos e gastam mais, deveriam receber mais também, pois é de despesas que se trata e o progenitor ou tutor que tem a criança á sua guarda deveria então fazer prova dos gastos e não da pensão de alimentos, quando muito das duas! Esse seria um cálculo justo, mas quanto tempo levaria e como seria processado? É difícil determinar quanto "custa" um filho. Custa mais em Setembro, menos em Outubro? Custa mais no primeiro ano de vida ou no primeiro ano da universidade? A ser aplicada esta medida nas condições em que está a ser enunciada, tenho sérias dúvidas sobre a sua eficácia e impacto social.

Famílias com maior risco de pobreza são monoparentais e sem emprego fixo

No topo dos agregados familiares em risco de pobreza estão as famílias compostas por um adulto e crianças dependentes (41%). Em segundo lugar, os idosos a viver sós (40%) e em terceiro, as famílias compostas por dois adultos com três ou mais crianças dependentes (38%). Em relação ao emprego, a percentagem de agregados sem emprego com crianças dependentes subiu de 56% em 2004 para 73% em 2006. Ao contrário, a percentagem destes agregados com emprego permanente desceu de 10% para 8%. São os números do Instituto Nacional de Estatística.

6.2.08

E agora?

325 pessoas leram a notícia online no Jornal Sol, uma registou-se no grupo do Yahoo, duas comentaram aqui no blog e três enviaram emails de apoio, sem contar com os telefonemas e SMS. Obrigada! Agradeço em nome das famílias monoparentais. Agora é continuar a escrever, a falar, a ajudar os que precisam de apoio, de casa, de justiça, de tudo um pouco. Não basta o dinheiro, e eu sei bem a falta que ele faz!, por vezes uma palavra amiga é o suficiente para nos dar força. Também sei que muita gente não fala porque não tem coragem, não tem tempo, não pode, há tantas razões. Da minha parte podem contar com a intenção de formar uma associação, de ver reconhecidas as famílias monoparentais e de ter orgulho em todas estas pessoas que dia-a-dia se esforçam por dar o melhor a quem depende delas, muitas vezes, esquecendo-se de si próprias. Como li uma vez: "cabeça erguida e cara alegre!", é o lema a adoptar.

1.2.08

Jornal Sol publica resposta da MONO

O Sol publicou a resposta em nome das famílias monoparentais sobre o ataque feito pelo representante da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) ao aumento do abono de família para as famílias monoparentais. Para ler, clique no título deste post. Para ver mais, consulte a página da APFN (www.apfn.com.pt), leia o conteúdo chocante do comunicado sobre o aumento do abono e não saia sem assinar a petição pela família. Somos monoparentais, mas não somos egoístas.

Não se conhece, esquece

Ontem enviei para a Lusa e para o jornal Sol, uma resposta sobre a posição da Associação de Famílias Numerosas que podem ler abaixo. A resposta ia identificada. A resposta não foi publicada, nem teve qualquer retorno. Nesta era de sensacionalismo mediático, quem não se conhece, esquece-se. É por essas e por outras razões semelhantes que não renovei a carteira de jornalista. Talvez convidando algumas figuras públicas, oferecendo uns croquetes ou organizando umas feiras de caridade, a MONO venha a ganhar destaque.