31.1.08

Resposta à Associação de Famílias Numerosas

Caro Sr. Há anos que acompanho o vosso trabalho que considero louvável e de grande interesse social. Contudo, também há anos que acompanho o seu ataque constante a todos os benefícios que as famílias monoparentais adquirem. A sua atitude de classificar as famílias monoparentais como não sendo "formalmente constituídas" revela uma profunda falta de respeito pelo seu semelhante, uma ignorância e desprezo absoluto por quem não se enquadra nos seus conceitos de família. Lamento profundamente que em pleno século XXI se apoie em casos pontuais de "famílias monoparentais riquíssimas" para atacar factos inegáveis de risco de pobreza. As famílias monoparentais não se classificam pelo estado civil mas pelas características excepcionais do agregado familiar. Há famílias de idosos que vivem com um filho, de mães solteiras e pais solteiros, de viúvos e viúvas e, claro, de casais divorciados com filhos. Sabe o senhor o que é um divórcio? Acha que as pessoas que se casam tendo em vista um projecto de família se divorciam levianamente? Conhece uma das maiores causas de separação e divórcio que é a violência doméstica? A sua ignorância e hipocrisia manifestam-se claramente nos seus ataques gratuitos e, a meu ver, desprezíveis, quando fala em "discriminação". Na sua família decidiram ter mais filhos. É uma decisão vossa que não se deve nem aprovar, nem condenar. Se alguém lhe dissesse para não trazer ao mundo mais crianças porque pode não ter condições para as sustentar e educar, qual seria a sua resposta? Caro senhor, remeto o resto da minha opinião para www.familia-mono-parental.blogspot.com onde poderá constatar uma realidade que pelos vistos condena em prol dos seus princípios. Todos podemos expressar as nossas opiniões, o que me choca é como ultrapassa os seus valores católicos atacando quem é mais fraco e precisa de ajuda. A sua inobservância do lema que dá voz à sua asociação "Defender a família, construir o futuro" é reveladora da hipocrisia que norteia este seu novo ataque aos monoparentais. Defenda a sua causa sem atacar a causa dos outros, seja coerente e solidário com os que são diferentes de si mas têm direitos que conquistam sem atacar os outros, sem falsas virtudes. Espero sinceramente que a sua família e as famílias que representa nunca venham a tornar-se monoparentais. O divórcio ou a separação é o último recurso de uma união que falhou. Na sua perspectiva é uma decisão leviana, como se uma separação fosse decidida de ânimo leve. Mais grave é a sua posição que vai contra o bem-estar dos dependentes nas famílias monoparentais. Sabe o que é a regulação do poder paternal, sabe quantas famílias não recebem pensão de alimentos, sabe quantas famílias perdem a casa, sabe quantas famílias vivem diariamente om o estigma de serem monoparentais? A sua posição é vergonhosa para o lugar que ocupa, para os ideais que defende e os valores em que acredita. Por favor, limite-se à sua associação e não se sirva dos outros para seu benefício. Ana Luisa Pinho (em vias de formar a MONO - Associação de Famílias Monoparentais, projecto adiado por falta de fundos e devido ao estigma social de assumir a condição de monoparental para se tornar membro, entre outras razões)

Porque no te callas?!!!

Este senhor tão católico, rico e com imensos filhos formou uma associação de famílias numerosas e é sempre o primeiro a atacar as famílias monoparentais. Pelas suas palavras, as famílias monoparentais não estão "formalmente constituídas" e ignora em absoluto o risco de pobreza afirmando que "há famílias mnoparentais riquíssimas". O senhor devia dedicar-se à sua causa sem estar permanentemente a atacar outros para obter os seus benefícios. Estamos no século XXI, o conceito de família mudou, infelizmente há sempre os que vivem no passado. "Irresponsável" é a sua atitude! Irresponsável, ignorante e egoísta para não dizer mais. Abono de família: Associação acusa Sócrates de discriminar famílias formalmente constituídas 31 de Janeiro de 2008, 11:45 Lisboa, 31 Jan (Lusa) - A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) acusou hoje a política do governo de José Sócrates de "irresponsável" e de "discriminar de forma inconcebível as famílias formalmente constituídas". A associação reagia ao aumento de 20 por cento no abono de família para as famílias monoparentais, que o executivo anunciou quarta-feira no Parlamento, e em relação à qual a APFN afirmou estar "totalmente contra". Em declarações à agência Lusa, Fernando Castro, presidente da direcção da APFN, acusou o governo de "promover um estado civil, discriminando os outros". "A medida foi apresentada por um lado como incentivo à natalidade, quando não o é, e por outro como combate à pobreza. Nesse caso o apoio tem de ser dado em função do rendimento per capita da família, nunca do estado civil dos pais", declarou Fernando Castro. No parlamento, José Sócrates justificou a medida lembrando que as estatísticas revelam que as famílias monoparentais "são as que estão mais expostas ao risco de pobreza", enquanto que Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, estimou haver mais de 100 mil crianças a viver apenas com um dos pais. Para o responsável do APFN, "de forma alguma" estas famílias correm maior risco de pobreza: "há famílias monoparentais riquíssimas, tal como famílias formalmente contituídas pobríssimas". "Há imensas circunstâncias para uma família se expor à pobreza. Qualquer critério para definir o apoio às famílias que não seja o rendimento per capita é completamente idiota - e neste caso é uma política contra as famílias numerosas e contra as famílias formalmente constituídas", continuou Fernando Castro. O abono de família é actualmente determinado em função da idade da criança e do nível de rendimentos do agregado familiar, sendo que com esta medida todas as famílias monoparentais, independentemente do escalão de rendimento, verão a prestação aumentar. A APFN acusa o Estado de se desresponsabilizar no apoio às família formalmente constituídas, o que terá consequências na natalidade, por um lado, mas também na criminalidade. Com este apoio às famílias monoparentais, concluiu o responsável, o Estado desresponsabiliza um dos progenitores, em vez de se preocupar com que "ambos os pais assumam de igual modo as suas responsabilidades perante os filhos." FZP Lusa/Fim

30.1.08

Finalmente o aumento! Mas...

Hoje: "O primeiro-ministro anunciou também que haverá um aumento de 20 por cento no abono de famílias das famílias mono-parentais, que são aquelas que estão "em maior risco de pobreza".(SICOnline) Agora resta ver se o cálculo do abono de família também muda, porque fazer as contas ao ano anterior acaba sempre por aumentar o risco de pobreza ou por manter esse risco. Por exemplo, quem ganha 12 mil euros num ano fica no 3º escalão que corresponde a 25 euros mensais, sem contar com encargos de habitação, escola, etc porque é óbvio que pelo menos metade do rendimento vai para estas despesas, se não for mais. A situação agrava-se quando a pessoa fica desempregada porque a atribuição do abono refere-se sempre ao ano fiscal anterior, partindo do princípio que nada se altera e mantendo fixo o valor atribuído.

28.1.08

Adopção nas famílias monoparentais

Este estudo mostra quatro famílias monoparentais, três mães e um pai, que adoptaram crianças em risco. Como cita Liliana Fonte: "Uma família onde só a mãe ou só o pai desempenham uma função educativa pode ser, e é-o em muitas circunstâncias, uma família melhor que muitas ditas tradicionais..." (Eduardo Sá, A Família por dentro e por fora)

26.1.08

Fins-de-semana

Para quem tem orçamentos baixos, fica aqui uma proposta: faça umas sanduíches, leve fruta e água, pegue nas crianças e almoçe ou lanche no jardim mais perto de casa. Não se esqueça de levar uma bola, um jogo de cartas e/ou um bom livro para o resto da tarde. Faça disso um hábito, elas vão adorar e você também!

23.1.08

Pense nisto antes de dar como perdida a sua relação

Qua, 23 Jan, 12h22 Washington, 22 jan (EFE).- Discutir de vez em quando com seu parceiro pode não só resolver algum problema, mas também garantir alguns anos a mais de vida, segundo um estudo preliminar da Escola de Saúde Pública e do Departamento de Psicologia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. A pesquisa, publicada pela revista "Journal of Family Communication", assinala que nos casamentos em que os parceiros guardam seus ressentimentos há uma maior possibilidade de uma morte prematura. No entanto, a longevidade é maior nos relacionamentos em que uma ou as duas partes manifestam seus ressentimentos e resolvem os conflitos. Os cientistas acompanharam 192 casais por 17 anos e os "catalogaram" em quatro grupos: no primeiro, os dois comunicam suas indignações, no segundo e terceiro, um dos dois se expressa e o outro se reprime, e no último, os dois parceiros não reagem a um ataque ou provação do outro. Foram registradas 13 mortes nos 26 casais do último grupo, e nos outros 166 casais ocorreram 41 mortes. Em 27% dos casais em que ambos reprimiram seus sentimentos, um de seus membros morreu no período do estudo, e em 23% os dois faleceram durante os 17 anos. No entanto, apenas 19% dos outros três grupos combinados viram a morte de um membro do casal durante o período de estudo. Quando os dois cônjuges reprimem sua indignação a um ataque ou uma crítica injusta do outro, a morte prematura é duas vezes mais provável que nos outros grupos, segundo Ernest Harburg, professor da Universidade de Michigan e diretor do estudo. Harburg explicou que a pesquisa foi centrada em críticas ou ataques que uma das partes considerou injustos ou inadequados. Quando a crítica foi considerada justa, a vítima não se indignou ou guardou rancores de qualquer tipo, afirmou o cientista. Harburg admitiu que as conclusões do estudo são preliminares, mas indicou que já está sendo preparada outra pesquisa que incluiria um período de análise de 30 anos. EFE ojl/mh

22.1.08

Decisões

"Há decisões que se tomam e que se lamentam a vida toda e há decisões que se amarga o resto da vida não ter tomado. E há ainda ocasiões em que uma decisão menor, quase banal, acaba por se transformar, por força do destino, numa decisão imensa, que não se buscava mas que vem ter connosco, mudando para sempre os dias que se imaginava ter pela frente. às vezes, são até estes golpes do destino que se substituem à nossa vontade paralisada, forçando a ruptura que temíamos, quebrando a segurança morta em que habitávamos e abrindo as portas do desconhecido de que fugíamos." Miguel Sousa Tavares in "Rio dasFlores" pag. 527

17.1.08

Estatísticas

Dizem as estatísticas que a maior parte das mulheres divorciadas não voltam a casar ou a ter um novo companheiro. Pelo contrário, os homens rapidamente voltam a constituir família. A razão está em quem fica com a guarda dos filhos e menor disponibilidade para encetar uma nova relação. Eu fui apanhada pelas estatísticas mas nunca se sabe...

15.1.08

Onde tudo é dado

http://dado.tricla.com tudo mesmo, de camas a livros a roupas.

11.1.08

O Plano Nacional para a Inclusão 2006/2008, um daqueles planos apresentados com pompa e circunstância, petit-fours e pastas de documentos, entre senhores de fato e gravata e senhoras de saia-casaco e cabelos penteados, apresentava a seguinte proposta:
  • Reforçar a protecção às famílias monoparentais, abrangendo 200 000 titulares do abono de família a partir de 2007.

Queria isto dizer que as famílias monoparentais iam receber mais abono, sendo um dos grupos sociais que tem vindo a aumentar o risco de pobreza. Aguardemos então serenamente que os abonos de família para as famílias mono-parentais sejam aumentados e com retroactivos, porque o ano acabou e nada se passou.

Cá em casa, continuamos no 3º escalão (25 euros), mesmo com mais um elemento no agregado familiar. Como não é da família, não conta. Também não temos direito ao SASE da escola, pela mesma razão. Somando os rendimentos do ano todo, não temos direito a nada. Como só trabalhei um ano de seguida por conta de outrém, recebo o subsídio social de desemprego (397 euros). Também não conta para nada porque tive o azar de ganhar mais de 13 mil euros durante o ano, um bocadinho menos do que o presidente da Galp num mês.

Enquanto isso, as miúdas têm excelentes notas, eu tive 16 no primeiro exame de mestrado, pago a casa nem sei bem como, espero que o advogado do sindicato trate do dinheiro que não me pagaram na escola e do contrato ilegal, comemos o que há, contamos os trocos e pronto!

7.1.08

Tapetes

Desde que vivo nesta casa cheia de traseiras de prédios e quintais, tenho vindo a observar a vizinhança e os seus hábitos. Há muitas pessoas a viver sós, principalmente mulheres de idade avançada. Mesmo aqui atrás, numa mansarda, há uma velhota que todos os santos dias cumpre o mesmo ritual: estender os tapetes. Muito tapete tem aquela mulher num espaço tão exíguo. Pequenos, médios e passadeiras, merecem a mesma atenção. Umas vezes, pendura-os no muro da varanda; outras sacode-os e ficam ao sol no telhado; outras ainda vão parar ao estendal e balançam ao vento durante toda a manhã. Depois, cuidadosamente, recolhe-os e regressam a casa. Esta é uma bela metáfora para ilustrar o isolamento. Se nos tiram um tapete, o melhor é arranjar mais e tratar muito bem deles.